Tailândia: Crónica de Viagem: o País Contado por Quem lá Esteve
Há viagens que se conhecem melhor através de quem já as viveu. Nesta edição das Dicas dos Especialistas, Jéssica Coutinho, especialista da Top Atlântico, partilha a sua experiência numa viagem pela Tailândia, entre Banguecoque, Chiang Mai, Krabi e Khao Sok.
Dos templos e mercados às paisagens naturais e praias da Tailândia, esta é uma crónica na primeira pessoa sobre o que mais marcou a viagem, o que correu bem, os imprevistos pelo caminho e as dicas que podem ajudar quem está a planear descobrir o país.
Banguecoque: o primeiro impacto com a Tailândia

Banguecoque foi o nosso primeiro contacto com a Tailândia e que impacto! É uma cidade intensa, caótica, vibrante e cheia de contrastes.
Entre templos, mercados, centros comerciais, comida de rua e chuvas tropicais inesperadas, percebemos rapidamente que Banguecoque precisa de tempo. Na nossa experiência, recomendamos pelo menos três dias completos para conhecer a cidade e alguns dos seus arredores.
Visitámos o Wat Pho, conhecido pelo enorme Buda Reclinado, e atravessámos o rio Chao Phraya de barco para chegar ao Wat Arun. A travessia custou-nos apenas 5 baht e proporcionou-nos uma perspetiva diferente da cidade.
Queríamos também visitar o Grande Palácio e o Wat Phra Kaew, mas encontrámo-los encerrados devido ao período de luto nacional pela morte da Rainha. Foi um daqueles imprevistos que nos recordou a importância de manter alguma flexibilidade durante uma viagem à Tailândia.
Dos templos aos mercados de Banguecoque
Também saímos do centro para conhecer o Maeklong Railway Market, o famoso mercado onde o comboio passa entre as bancas, e o Damnoen Saduak Floating Market.
Neste caso, optámos por uma excursão organizada com transfer. Para nós, foi a solução mais simples para conhecer os dois locais no mesmo dia.
Outro dos mercados que visitámos foi o Chatuchak Weekend Market. Entre roupa, artesanato, lembranças e comida, é fácil passar várias horas por lá. Foi também aqui que confirmámos uma das dicas que nos acompanharia durante o resto da viagem: é importante ter dinheiro físico.
Quando os artigos não tinham o preço marcado, regateámos com educação, algo bastante comum nos mercados que visitámos.
Onde comemos em Banguecoque
No Chatuchak Market almoçámos no TOH-Plue Restaurant, onde experimentámos o pad thai de frango. Para uma refeição mais especial, escolhemos o Aunglo by Yangrak.
Também recorremos várias vezes aos 7-Eleven. Além de bebidas e snacks, encontrámos refeições rápidas que deram muito jeito quando a chuva ou outros imprevistos nos obrigaram a alterar os planos.
Para nos deslocarmos, utilizámos BTS, MRT e Grab. Experimentar um tuk tuk também pode fazer parte da experiência, mas, para nós, fez mais sentido utilizá-lo apenas em trajetos pontuais.
Chiang Mai: cultura e tradições no norte da Tailândia

Depois da agitação de Banguecoque, Chiang Mai foi um grande contraste. Encontrámos uma cidade mais calma, rodeada de montanhas e florestas e com uma forte presença dos templos e das tradições locais.
Foi também aqui que vivemos alguns dos momentos mais marcantes de toda a viagem.
No Wat Chedi Luang, cuja entrada nos custou 50 baht, observámos alguns dos rituais associados ao budismo tailandês. Visitámos também o Wat Phra Singh e o Wat Pha Lat, escondido na floresta, onde tivemos a sorte de encontrar monges a meditar junto à cascata.
Outro dos pontos que não queríamos perder era o Wat Phra That Doi Suthep, no topo da montanha. É possível subir os 306 degraus ou utilizar o funicular. Nós optámos por subir de funicular e descer pelas escadas.
Além da estupa dourada e das vistas sobre Chiang Mai, participámos num ritual de bênção em que um monge nos colocou uma pulseira com um nó. Segundo a tradição que nos foi explicada, quando a pulseira cair ou se desfizer, significa que o propósito foi cumprido.
Yi Peng e Loy Krathong: um dos momentos mais especiais da viagem

O Festival Yi Peng/Loy Krathong foi um dos momentos mais mágicos e inesquecíveis da nossa passagem pelo norte da Tailândia.
Durante o festival, Chiang Mai enche-se de lanternas, desfiles, música, danças e celebrações. No evento em que participámos, a cerca de uma hora do centro da cidade, havia ainda massagens, pinturas, workshops, concertos e uma zona de comida com pratos típicos incluídos no bilhete.
O espetáculo principal era coordenado pela organização, com indicações em várias línguas, incluindo português.
Depois chegou o momento mais esperado: o lançamento das lanternas. A organização deu as instruções e as lanternas foram lançadas ao mesmo tempo, criando uma imagem que ficou entre as nossas melhores memórias da Tailândia.
Elefantes em Chiang Mai: escolher uma experiência responsável
Queríamos muito conhecer elefantes durante esta viagem, mas também sabíamos que tínhamos de escolher cuidadosamente a experiência.
Visitámos o Elephant Nature Park, onde observámos elefantes resgatados sem montar nos animais e sem interferir no seu quotidiano.
Esta foi uma das experiências que mais nos marcou. Percebemos que observar os elefantes de forma responsável era muito mais valioso para nós do que procurar uma atividade que implicasse tocar-lhes ou dar-lhes banho.
Existem muitas experiências com elefantes em Chiang Mai. Por isso, recomendamos pesquisar cuidadosamente antes de reservar e perceber como os animais são tratados e que tipo de interação é permitida.
Mercados, comida e massagens em Chiang Mai
Também aproveitámos os mercados noturnos e as massagens tradicionais, que acabaram por ser outra das experiências que repetimos ao longo da viagem.
Entre os restaurantes que experimentámos estiveram o Chada Vegetarian, o Kat’s Kitchen e o It’s Good Kitchen. Este último foi o nosso preferido, embora tenhamos encontrado fila para entrar.
Nos mercados noturnos aproveitámos ainda para experimentar diferentes pratos e petiscos locais.
Para conhecer Chiang Mai, recomendamos pelo menos dois a três dias. No entanto, quem tiver mais tempo pode prolongar a viagem pelo norte. Doi Inthanon e Chiang Rai eram algumas das possibilidades que tínhamos em mente.
Para encontrar outras ideias fora dos percursos mais conhecidos, veja também estes 5 lugares menos conhecidos da Tailândia.
Krabi: finalmente, as praias da Tailândia

Depois de Banguecoque e Chiang Mai, seguimos para o sul.
Escolhemos Krabi como base para explorar algumas das praias e ilhas do mar de Andamão.
Ficámos em Ao Nang, uma localização prática pela oferta de restaurantes, lojas e atividades. A praia tem água morna e um pôr do sol muito bonito, embora, para nós, não tenha sido uma das praias mais bonitas que encontrámos na região.
Também fizemos o Monkey Trail até Pai Plong Beach. O percurso demorou-nos cerca de 20 minutos e incluiu escadas e algumas subidas. É importante ter cuidado com os macacos, porque podem aproximar-se para tentar roubar comida ou objetos pessoais.
Phi Phi Islands: paisagens incríveis, mas também multidões
A partir de Krabi fizemos uma excursão de um dia às Phi Phi Islands.
O percurso incluiu Bamboo Island, Monkey Beach, Maya Bay, Lagoa de Pileh, Viking Cave e Ko Poda. Encontrámos areia branca, água cristalina e algumas das paisagens que mais associávamos à Tailândia antes da viagem.
No entanto, esta foi também uma das partes em que sentimos mais claramente o impacto do turismo.
Maya Bay estava muito movimentada e, quando visitámos Ko Poda, encontrámos bastante lixo na areia, o que acabou por prejudicar a beleza do local.
Decidimos também não ficar alojadas em Phi Phi. A zona junto ao cais é bastante movimentada e há animação noturna, incluindo música e festas. Como procurávamos sobretudo praias e tranquilidade, para nós a excursão de um dia foi suficiente.
Quem quiser ficar na ilha e procurar um ambiente mais tranquilo pode considerar a zona norte, embora fique mais afastada do centro.
Para quem está a planear outro itinerário pelo sul, Koh Samui é outra possibilidade. Também pode consultar a seleção da Top Atlântico com as melhores praias da Tailândia para conhecer outras opções.
Khao Sok: natureza e uma experiência diferente

Depois de Krabi, seguimos para Khao Sok, que foi, sem dúvida, um dos pontos altos da nossa viagem.
Ficámos no Praiwan Raft House, em casas flutuantes sobre o Cheow Lan Lake. Depois de vários dias entre cidades, mercados e praias, encontrámos um cenário completamente diferente, rodeado por selva, montanhas e água.
A viagem desde Krabi demorou-nos cerca de duas horas de carro. Depois, seguimos de longtail boat durante aproximadamente uma hora até às casas flutuantes.
Fizemos passeios de barco e caiaque, caminhámos pela selva e visitámos a Pakarang Cave. No alojamento, as refeições estavam incluídas, mas a oferta de snacks era limitada e mais cara. Por isso, recomendamos passar num 7-Eleven antes de seguir para o parque e levar alguns lanches.
Também não tínhamos Wi-Fi nem rede e a eletricidade estava disponível apenas durante algumas horas à noite. No nosso caso, isso acabou por fazer parte da experiência e permitiu-nos desligar verdadeiramente.
E houve outro momento que não esqueceremos: ver o nascer do sol sobre o lago.
Norte ou sul da Tailândia?
É difícil escolher porque encontrámos experiências completamente diferentes.
Banguecoque foi intensa e cheia de contrastes. Chiang Mai trouxe-nos os templos, as tradições, o Yi Peng e a experiência com os elefantes. Em Krabi encontrámos as praias que procurávamos, mas também multidões e alguns dos efeitos menos positivos do turismo. Por fim, Khao Sok proporcionou-nos alguns dos momentos mais tranquilos de toda a viagem.
Se há algo que este itinerário nos mostrou é que a Tailândia não se resume às praias.
Para nós, o norte e o sul complementaram-se. Se tivéssemos escolhido apenas um, teríamos regressado com uma imagem muito mais limitada do país.
Quanto gastámos e onde valeu a pena pagar?
Não registámos um orçamento completo da viagem e, por isso, não conseguimos indicar um custo total com rigor.
Ainda assim, alguns valores concretos ficaram registados. A travessia de barco para o Wat Arun custou-nos 5 baht e a entrada no Wat Chedi Luang custou 50 baht.
Mais do que procurar sempre a opção mais barata, tentámos perceber onde fazia sentido gastar mais.
Para nós, valeu a pena optar por uma excursão organizada aos mercados nos arredores de Banguecoque, escolher uma experiência responsável com elefantes, fazer a excursão às Phi Phi Islands e reservar a experiência em Khao Sok com transporte e refeições incluídos.
Por outro lado, decidimos não gastar numa estadia em Phi Phi. A excursão de um dia foi suficiente para aquilo que procurávamos.
Doha: aproveitar a escala para conhecer outro destino

A nossa viagem teve ainda um capítulo fora da Tailândia.
Fizemos duas escalas em Doha, uma na ida e outra no regresso. Na primeira, tínhamos apenas a noite e aproveitámos para descansar. Na segunda, tivemos um dia completo e decidimos conhecer um pouco do Qatar.
Visitámos o Souq Waqif, o Souq Falcon, o Msheireb Museum e a Corniche. Também fizemos uma excursão de 4×4 pelo deserto, com sandboard e passagem por Khor Al Adaid.
No nosso caso, dormir durante a escala ajudou-nos a descansar numa viagem longa e permitiu ainda acrescentar uma experiência diferente ao itinerário.
Dicas para portugueses que estão a planear uma viagem à Tailândia
Depois desta experiência, há alguns conselhos práticos que teríamos em conta numa próxima viagem.
Levar dinheiro físico: foi especialmente útil em mercados, bancas, pequenos estabelecimentos e algumas atrações. Nos levantamentos em ATM encontrámos taxas, por isso optámos por levantar uma quantia maior de uma vez.
Manter flexibilidade no itinerário: as chuvas tropicais obrigaram-nos a adaptar alguns planos. Ter margem para alterar visitas fez diferença.
Usar Grab e transportes públicos: em Banguecoque, BTS e MRT foram opções práticas. Também utilizámos Grab em diferentes momentos da viagem.
Respeitar as regras nos templos: é importante usar roupa adequada e manter ombros e joelhos cobertos. Ter uma camisa leve ou outra peça adequada na mochila pode dar jeito.
Ter atenção ao calor e à hidratação: passámos muitos dias com temperaturas elevadas e humidade, por isso beber água regularmente e fazer pausas foi essencial.
Escolher cuidadosamente experiências com animais: antes de reservar, procurámos perceber como os animais eram tratados e evitámos atividades que implicassem comportamentos forçados.
Fazer a consulta do viajante: antes de uma viagem deste género, recomendamos procurar aconselhamento médico adequado ao itinerário e às características de cada viajante.
Confirmar as regras de entrada antes de viajar: atualmente, os cidadãos portugueses com passaporte comum podem entrar na Tailândia sem visto para estadias turísticas até 30 dias. É também necessário preencher o Thailand Digital Arrival Card (TDAC) online nos três dias anteriores à chegada. Como as regras de entrada podem mudar, recomendamos confirmar sempre a informação oficial antes da viagem.
Contratar um seguro de viagem: numa viagem longa, com deslocações de barco, trilhos e várias atividades, considerámos importante viajar com seguro adequado.
O que ficou da nossa viagem à Tailândia

No final, não foram apenas os grandes monumentos ou as praias que ficaram na memória.
Lembramo-nos da chuva a obrigar-nos a mudar os planos em Banguecoque, dos monges junto à cascata em Chiang Mai, das lanternas a subir no céu durante o Yi Peng, dos elefantes que pudemos simplesmente observar, dos macacos no Monkey Trail, das multidões em Maya Bay, do lixo que encontrámos numa praia que esperávamos perfeita e do silêncio de Khao Sok quando ficámos sem rede e sem Wi-Fi.
Foi precisamente essa mistura que tornou a viagem tão especial.
A Tailândia que conhecemos combinou cidades intensas, templos, mercados, praias e selva. Além disso, o contraste entre norte e sul fez-nos sentir que cada etapa acrescentava algo completamente diferente à viagem.
Se está a pesquisar o que visitar na Tailândia, o nosso conselho, depois desta experiência, é não pensar apenas nas praias. Se tiver tempo, combine diferentes regiões e deixe alguma margem para os imprevistos.
Foi isso que tornou a nossa viagem à Tailândia numa experiência que ainda hoje temos vontade de contar.
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